Atenção ao seu Momento Decisivo.

Temos um ótimo exemplo de alguém menor do que a função que ocupa, conforme foi tratado neste blog anteriormente (http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u331352.shtml). Trata-se do relator da CPI do apagão aéreo. Como o ocorrido é público podemos tratá-lo como um “caso de administração”, sem risco da avaliação política que, repito, não é bem vinda no blog.


Vamos aos fatos. O relator assumiu o cargo com perspectiva de realizar um trabalho que respondesse à demanda da opinião pública esclarecida. A sociedade,de forma generalizada, clamava por medidas em relação à crise gerada pelos acidentes do avião da GOL no ano passado e, no meio do trabalho da CPI, o acidente da TAM em Congonhas. Saldo trágico de mais de 350 mortos. Isto representava um "Himalaia" de pressões e expectativas. Esperava-se que tudo isto deveria se traduzir na ocupação da função por um líder preparado ou um gerente experiente.


O relator, por uma série de atitudes e movimentos pessoais, fez crescer essa esperança. Comprometeu-se publicamente a investigar, com profundidade, e apontar os indícios das responsabilidades pela crise que o país atravessava e ainda atravessa no setor aéreo. Ele, corajosamente, apontou nomes, indicou situações e adiantou conclusões. Foi bastante atuante e ocupou todos os espaços possíveis na mídia. Ganhou credibilidade. Mostrou seu trabalho e passou a certeza de que o resultado de tantas reuniões, debates, depoimentos e crises (incluindo a troca das direções da Infraero e da ANAC) seria sólido e confiável.


Ontem o relator expôs o resultado do seu trabalho e... surpresa total, foi o anticlímax em relação à expectativa criada. Desde que foi conhecido o relatório da CPI a execração do deputado-relator da CPI está em todos os noticiários como uma pessoa que não conseguiu suportar as pressões da função e cedeu no momento decisivo contrariando a própria convicção anunciada publicamente (http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u331352.shtml). O seu relatório foi classificado por seus colegas da CPI como um "monumento à frouxidão".


Quaisquer que sejam as razões que o relator possa apresentar para o seu posicionamento não serão suficientes para recompor a sua imagem de líder que fraquejou no instante crucial. Isto é irrecuperável e ele carregará este conceito o resto da vida. Esta é uma "lei pétrea" no universo corporativo.


Deixemos os exageros da retórica política de lado e registremos o caso sob o foco da liderança e da gerência. Se fizermos a analogia com o que acontece frequentemente nas corporações vamos tirar muitas lições. O ponto focal deste debate é algo que ocorre de forma comum e repetida nas empresas, principalmente nos órgãos do Governo Federal.


Para uma informação mais completa pesquise "O Princípio de Peter" (http://pt.wikipedia.org/wiki/Princ%C3%ADpio_de_Peter).

.....................................................................................................
Comentário: O relator da CPI em tela, sob o ponto de vista da sua profissão, não soube aproveitar o seu "momento decisivo" que é aquela oportunidade de se dar um "upgrade" na carreira e que depende exclusivamente de nós mesmos. É uma necessidade de decisão que surge sem aviso prévio e que exige coragem heróica para ser tomada. Se caracteriza por ser extremamente incômoda para quem a toma, acontecer uma única vez na carreira e causar um enorme atrito com o grupo ao qual pertence o gestor. Por isto é tão difícil e só assumida pelos líderes e gerentes muito especiais. Cada um de nós será submetido a alguns "momentos" na medida em que formos avançando nas nossas trajetórias de vidas profissional e pessoal. Estar ou não preparados para a tomada de decisão fará, sempre, toda a diferença entre quem manda e quem obedece.