Autor: Prof. Luiz Roberto da Rocha Maia*
A mídia eletrônica e a linguagem de hiperlink ainda estão a se desenvolver. Elas evoluíram muito e, podemos esperar, para os próximos anos, mais ainda no sentido da facilidade da pesquisa por parte do leitor. Os veículos de comunicação virtual estão construindo um novo leitor, mais apto e competente para o uso de hipertextos.
Por mais de 25 anos, tenho sido consultor de pequenas empresas, a maior parte delas localizadas em Brasília, além dos quase cinco anos passados lecionando para o curso de Administração, disciplinas ligadas à criação e ao desenvolvimento de negócios.
São mais de trinta e cinco anos de dedicação ao estudo das questões do sucesso ou do fracasso nos negócios. Gosto das idéias de Napoleon Hill, (http://www.naphill.org/about/) um dos pioneiros e mais completos escritores do gênero “como fazer sucesso na vida”. Sua obra “A Lei do Triunfo” é imperdível. Concomitante, trabalhei em órgãos públicos durante os últimos 29 anos, onde pude traçar um paralelo entre a realidade dos negócios privados e a quase realidade dos negócios públicos. A expressão “quase realidade” para negócios públicos, não tem qualquer sentido pejorativo. Dessa forma tento passar o meu sentimento sobre o comportamento municipal, estadual ou federal para a criação e desenvolvimento de negócios nas empresas e órgãos públicos no Brasil. A ausência de profissionalismo, com pouca prevalência do uso de soluções técnicas, por parte dos dirigentes e gestores da república brasileira, justifica o termo “quase realidade”.
Certamente, não serviram como objeto de minhas comparações as questões do tamanho da organização pública e privadas. Óbvio, as pequenas empresas privadas sempre serão muitas vezes menores e menos complexas do que qualquer tipo de organismo público, muito embora possam ter maior eficiência e eficácia, além de inequívoca efetividade no atendimento de seus objetivos, mais do que algumas das grandes empresas públicas.
Assim esclarecido, vamos ao cerne do assunto.
As estatísticas do SEBRAE sobre o tempo de vida de pequenas empresas no Brasil eram e são algo aterrador. Uma epidemia de doenças organizacionais abate uma quantidade inacreditável de novos empreendimentos. Tal fenômeno, possivelmente, tem sido a causa de certa aversão para o brasileiro optar por ser empresário. Em Brasília houve um modismo que levou várias pessoas a tentarem o caminho dos negócios próprios, quando apareceram os primeiros programas de demissão incentivada.
Uma verdadeira tragédia!
Além disso, há outra característica da nossa cultura. Eu nunca conheci um pai que estimulasse os filhos para seguirem o caminho da criação de negócios. Exceto nos casos de sucessão nas empresas familiares, a regra é orientar os jovens para o caminho da formação técnica, no máximo pensando num futuro como profissional liberal. Coisa rara é incentivar para a criação de algum negócio! Os estudos até mostram o brasileiro como uma pessoa que tem excelentes características empreendedoras. Contudo, nossa cultura nos formata o comportamento e as opções de vida, visando à obtenção de um “canudo”, com visão mecanicista e burocrática. Nós sempre fomos preparados como mão-de-obra. Trabalhar para os outros, se possível, para conseguir a estabilidade de um emprego público ou numa grande empresa privada. Nas nossas universidades não recebemos formação para criar um empreendimento de risco; nossa cultura ela tem sido uma barreira ao espírito empreendedor nacional. Padecemos até hoje de certo complexo de submissão ao colonizador.
Durante uma entrevista, o embaixador chinês, ao responder a uma pergunta sobre as trocas econômicas entre Brasil e China, comentou que os nossos empresários necessitam de ser mais agressivos, para ampliar as relações comerciais com aquele país.
Como um bom diplomata, não chegou a afirmar, mas deu a entender que os nossos empresários são tímidos para o mercado internacional.
Estudando com meus alunos sobre o assunto, considerando o conteúdo da disciplina de Criação e Desenvolvimento de Negócios, verifiquei um dado interessante: a grande maioria das empresas nacionais teve suas origens na vontade de algum emigrante. Italianos, árabes, espanhóis, portugueses, ingleses, franceses, judeus e orientais diversos, nos últimos 100 anos, foram os fundadores das empresas familiares brasileiras. Muitos deles, ao chegarem próximos de passar o bastão do comando de seus negócios, encontraram grande dificuldade para nomear o sucessor. Muitos dos grandes empreendedores, ao passar o bastão de comando, encontraram o infortúnio com o fracasso de seus negócios. Outros viram o nome da tradicional indústria ou comércio passar das páginas dos anúncios para as barras dos tribunais, vitimados por litígios entre os herdeiros. Poucos conheceram o sucesso continuado dos negócios, quando os timoneiros passaram a ser seus filhos ou netos brasileiros.
Lendo os livros “1808”, de Laurentino Gomes, e “O Império à Deriva”, de Patrick Wilcken, é possível entender boa parte das causas que historicamente moldam o brasileiro de hoje. Muitas vezes somos enganados em nossas avaliações sobre a idade do Brasil, quando ficamos presos ao descobrimento, em 1500, como marco do nascimento do nosso continental patrimônio nacional. Ledo engano! Em 1808, já estávamos mais de 50 anos atrasados em relação ao início da Revolução Industrial na Inglaterra. O Brasil como uma simples colônia de Portugal, havia ficado escondido para o mundo, por mais de 300 anos. Extrativismo e economia mais do que primária era o que tínhamos conseguido como base de negócios. Não havia uma só atividade de produção importante que não estivesse totalmente subordinada à vontade de Portugal. Vale lembrar que, em 1776, Thomas Jefferson redigiu a Declaração de Independência dos Estados Unidos da América, portanto, trinta anos antes da abertura(?) dos portos brasileiros às nações amigas.
Antes de focar minhas observações na criação de um negócio, quero tecer alguns comentários sobre o desenvolvimento e a gestão de negócios, sejam eles públicos ou privados, pequenos, médios ou grandes.
O desenvolvimento e a gestão de um negócio pressupõem que ele já exista; eu diria, obriga que ele já tenha sido criado. Não há como desenvolver o que ainda não exista ou tenha passado por uma etapa de “gestação embrionária” e conseqüente “crescimento fetal”. Havendo uma “fecundação”, pode-se pensar na gestação de um projeto de negócio. Eu gosto muito desta analogia com o fenômeno de desenvolvimento da fecundação no útero. Nem todo ente fecundado será assumido com total responsabilidade por aqueles que lhe deram origem. Com os empreendimentos também é assim.
Todos sabem bem como é importante para o nascimento de uma criança, uma gravidez bem gerenciada; tarefa que merece o envolvimento direto de pais e familiares, além de médicos e outros profissionais. A responsabilidade pelo futuro de um filho tem início, certamente, bem antes da fecundação. Assim deveria ser sempre, de maneira expontânea! Porém, não é o que vemos! Inúmeras leis são feitas para tentar garantir os direitos da pequena criatura. É comum ouvirmos alguém comentar: “Chiii! Sabe que fulana ficou grávida? Ela nem sabia! Pensava que estava engordando! Já está com dois meses! A menstruação dela costumava atrasar.”
Atropelada pelo despreparo para lidar com a realidade de um futuro parto, sem estrutura para receber a notícia e com o tempo acelerando contra, tem início uma correria da futura mãe a fim de conseguir dar o melhor final feliz para a história. Para piorar a situação, tem ainda a figura do “sócio”, aquele que não sabe de nada e acaba complicando a tomada de decisão: nasce ou aborta o “negócio”? Não me cabe aqui ser um crítico do aborto, mas a verdade é que, na situação da gravidez não planejada, não desejada, não pensada e assumida, o pequeno embrião, muitas vezes flagrado já como um feto, nem nome tem e acaba sua existência como um rejeitado. Não passa de um “treco”; e, o que é pior, quando ele não passa de uma “coisa”... pública.
No mundo dos negócios as coisas não são muito diferentes. Os negócios normalmente surgem pequenos, por vontade de seus donos, com total responsabilidade social e de tal forma amados, que acabam por crescer e chegar ao desenvolvimento para o mercado. Outros há que surgem sem um real desejo da fecunda realização. São verdadeiros acidentes, apenas representando aventuras, cometimentos da paixão; são loucos devaneios, nunca o resultado da vontade responsável de alguém para criar um negócio. Há casos, por exemplo, de serem simplesmente arroubos de alguém que não deseja mais ter patrão e, assim, quer ser o patrão de si mesmo. Até estes tipos de negócio são capazes de crescer e encontrar sucesso no mercado. Podem até chegar a se desenvolver, alcançando grande sucesso, desde que seja o fruto de uma relação de amor. Sim, um amor idealístico! Nada vive e consegue prosperar sem o amor.
Aqui fica, portanto, uma das minhas primeiras constatações das comparações que tenho feito: um negócio privado demanda uma “paternidade e maternidade” responsável e assumida, para que tenha uma expectativa melhor para o seu desenvolvimento e gerenciamento; enquanto o negócio público, coitado, acaba sempre como um filho que não sabe quem é o pai e tem vergonha de dizer quem é a mãe, ficando sempre sem entender bem para qual fim foi posto no mundo. Há exceções, sim! A Embraer, privatizada desde 1994, é o exemplo que desejo citar, como típico fruto do idealismo de um grande empreendedor e gestor, o grande administrador brasileiro Ozires Silva. Sempre recomendo a leitura do livro intitulado “Cartas a um Jovem Empreendedor”, de sua autoria, e a visita ao site http://www.embraer.com.br/portugues/content/empresa/profile.asp.
Outra constatação: para criar um negócio, mais importante do que ter capital é ter amor e acreditar em alguma boa idéia.
Destes breves comentários iniciais, quero deixar uma resumida reflexão: assim como as pessoas, também as empresas e organizações só podem ser desenvolvidas e gerenciadas se resultarem da ação do amor.
Certamente, a vida guarda leis universais, prevalecentes para todos. Aberrações podem existir para justificar o sucesso de algumas poucas empresas, contudo, independente do tempo da duração de um empreendimento no mercado, dentre os mais fortes fatores de insucesso e morte prematura está a falta de objetivos maiores, bem definidos e assumidos. Esta é a razão pela qual o planejamento estratégico é tão importante para a criação de negócios. Sem ele não há como gerenciar nada, tampouco o que desenvolver para o futuro.
Vamos então ao foco do nosso assunto, i.e., a criação de um negócio!
Importante: para a criação de um negócio é importante ter criatividade; obriga saber lidar com o desconhecido, com o novo, com aquilo que ainda não havia sido nem mesmo evidenciado. Esta é a razão que faz algumas pessoas diferentes das outras por terem a capacidade de ver além dos paradigmas. Partir de pensamentos de negação, do não pode, do é impossível, do não vai dar certo etc. torna o processo de criação um verdadeiro estupro.
O universo, por exemplo, é bastante anárquico, livre para se movimentar, se modificar eternamente, apenas subordinado aos desígnios do Incriado, simplesmente recriando o imponderável! Alguém já parou para pensar sobre o significado do infinito? Complicado, não? Pois é justamente a aceitação de que existe o infinito o que levou velhos filósofos a demonstrarem a existência de Deus, sem jamais alguém ter a pretensão de querer provar a existência do infinito.
Vou alucinar agora! Se o infinito existe, então não há nada novo, posto que tudo já foi criado. Resultado: na natureza nada se perde, nada se cria, tudo se transforma (Lavoisier em 1789).
Portanto, o processo de criação de um negócio segue leis científicas, mas subordinam-se, mormente as leis da natureza. Respeita, também, os ditames jurídicos dos homens, e segue o sentido do carma (nas filosofias da Índia, o conjunto das ações dos homens e suas conseqüências).
Outro problema a ser considerado: não adianta pensar em criação além do que é possível para determinado momento das transformações. Suponhamos de forma romanceada que, um dia, há aproximadamente 150 anos, um sonhador tomado de amor pelo luar tenha decidido dar um beijo na sua amada. Não existiam meios para viabilizar a ação, sendo esta a razão pela qual a lua não foi pisada por um visionário como Júlio Verne e sim por Neil Armstrong, em 1969, o primeiro homem a pisar na Lua.
Claro está que o fantástico escritor pode ter sido o tal apaixonado. De forma bastante avançada para sua época, escreveu, em 1865, “Da Terra a Lua” e “Ao Redor da Lua”, obras literárias que, com muita antecedência, podem ter servido de inspiração para os primeiros astronautas empreenderem a histórica conquista.
Conclusão básica: para a criação de um negócio, ainda que seja necessário amar a idéia do que se deseja realizar, ser um visionário, um sonhador e ter grande coragem para propor uma marcha em direção ao desconhecido, é de suma importância ter os pés no chão, i.e., tentar planejar e organizar algo factível para o seu tempo. Criar um negócio implica em executar o projeto, de outra forma não passa de boa intenção, qualidade esta que, segundo comentam, tem feito a população do inferno crescer a olhos vistos e as estatísticas de mortalidade de empresas serem tão contundentes.
Para concluir, retorno ao assunto hipertexto. A complexa e elaborada faina de planejar estrategicamente a criação de um negócio, nos tempos atuais, é sobejamente favorecida pela Internet. Nunca uma pessoa pode sonhar e de forma concomitante checar tão rapidamente suas idéias. Acredito que o aparecimento de novos empreendimentos será, doravante, muito facilitado, na medida em que as pessoas possam acessar informações sobre disponibilidade de recursos para executar seus sonhos.
A mídia eletrônica e a linguagem de hiperlink ainda estão a se desenvolver. Elas evoluíram muito e, podemos esperar, para os próximos anos, mais ainda no sentido da facilidade da pesquisa por parte do leitor. Os veículos de comunicação virtual estão construindo um novo leitor, mais apto e competente para o uso de hipertextos.
Por mais de 25 anos, tenho sido consultor de pequenas empresas, a maior parte delas localizadas em Brasília, além dos quase cinco anos passados lecionando para o curso de Administração, disciplinas ligadas à criação e ao desenvolvimento de negócios.
São mais de trinta e cinco anos de dedicação ao estudo das questões do sucesso ou do fracasso nos negócios. Gosto das idéias de Napoleon Hill, (http://www.naphill.org/about/) um dos pioneiros e mais completos escritores do gênero “como fazer sucesso na vida”. Sua obra “A Lei do Triunfo” é imperdível. Concomitante, trabalhei em órgãos públicos durante os últimos 29 anos, onde pude traçar um paralelo entre a realidade dos negócios privados e a quase realidade dos negócios públicos. A expressão “quase realidade” para negócios públicos, não tem qualquer sentido pejorativo. Dessa forma tento passar o meu sentimento sobre o comportamento municipal, estadual ou federal para a criação e desenvolvimento de negócios nas empresas e órgãos públicos no Brasil. A ausência de profissionalismo, com pouca prevalência do uso de soluções técnicas, por parte dos dirigentes e gestores da república brasileira, justifica o termo “quase realidade”.
Certamente, não serviram como objeto de minhas comparações as questões do tamanho da organização pública e privadas. Óbvio, as pequenas empresas privadas sempre serão muitas vezes menores e menos complexas do que qualquer tipo de organismo público, muito embora possam ter maior eficiência e eficácia, além de inequívoca efetividade no atendimento de seus objetivos, mais do que algumas das grandes empresas públicas.
Assim esclarecido, vamos ao cerne do assunto.
As estatísticas do SEBRAE sobre o tempo de vida de pequenas empresas no Brasil eram e são algo aterrador. Uma epidemia de doenças organizacionais abate uma quantidade inacreditável de novos empreendimentos. Tal fenômeno, possivelmente, tem sido a causa de certa aversão para o brasileiro optar por ser empresário. Em Brasília houve um modismo que levou várias pessoas a tentarem o caminho dos negócios próprios, quando apareceram os primeiros programas de demissão incentivada.
Uma verdadeira tragédia!
Além disso, há outra característica da nossa cultura. Eu nunca conheci um pai que estimulasse os filhos para seguirem o caminho da criação de negócios. Exceto nos casos de sucessão nas empresas familiares, a regra é orientar os jovens para o caminho da formação técnica, no máximo pensando num futuro como profissional liberal. Coisa rara é incentivar para a criação de algum negócio! Os estudos até mostram o brasileiro como uma pessoa que tem excelentes características empreendedoras. Contudo, nossa cultura nos formata o comportamento e as opções de vida, visando à obtenção de um “canudo”, com visão mecanicista e burocrática. Nós sempre fomos preparados como mão-de-obra. Trabalhar para os outros, se possível, para conseguir a estabilidade de um emprego público ou numa grande empresa privada. Nas nossas universidades não recebemos formação para criar um empreendimento de risco; nossa cultura ela tem sido uma barreira ao espírito empreendedor nacional. Padecemos até hoje de certo complexo de submissão ao colonizador.
Durante uma entrevista, o embaixador chinês, ao responder a uma pergunta sobre as trocas econômicas entre Brasil e China, comentou que os nossos empresários necessitam de ser mais agressivos, para ampliar as relações comerciais com aquele país.
Como um bom diplomata, não chegou a afirmar, mas deu a entender que os nossos empresários são tímidos para o mercado internacional.
Estudando com meus alunos sobre o assunto, considerando o conteúdo da disciplina de Criação e Desenvolvimento de Negócios, verifiquei um dado interessante: a grande maioria das empresas nacionais teve suas origens na vontade de algum emigrante. Italianos, árabes, espanhóis, portugueses, ingleses, franceses, judeus e orientais diversos, nos últimos 100 anos, foram os fundadores das empresas familiares brasileiras. Muitos deles, ao chegarem próximos de passar o bastão do comando de seus negócios, encontraram grande dificuldade para nomear o sucessor. Muitos dos grandes empreendedores, ao passar o bastão de comando, encontraram o infortúnio com o fracasso de seus negócios. Outros viram o nome da tradicional indústria ou comércio passar das páginas dos anúncios para as barras dos tribunais, vitimados por litígios entre os herdeiros. Poucos conheceram o sucesso continuado dos negócios, quando os timoneiros passaram a ser seus filhos ou netos brasileiros.
Lendo os livros “1808”, de Laurentino Gomes, e “O Império à Deriva”, de Patrick Wilcken, é possível entender boa parte das causas que historicamente moldam o brasileiro de hoje. Muitas vezes somos enganados em nossas avaliações sobre a idade do Brasil, quando ficamos presos ao descobrimento, em 1500, como marco do nascimento do nosso continental patrimônio nacional. Ledo engano! Em 1808, já estávamos mais de 50 anos atrasados em relação ao início da Revolução Industrial na Inglaterra. O Brasil como uma simples colônia de Portugal, havia ficado escondido para o mundo, por mais de 300 anos. Extrativismo e economia mais do que primária era o que tínhamos conseguido como base de negócios. Não havia uma só atividade de produção importante que não estivesse totalmente subordinada à vontade de Portugal. Vale lembrar que, em 1776, Thomas Jefferson redigiu a Declaração de Independência dos Estados Unidos da América, portanto, trinta anos antes da abertura(?) dos portos brasileiros às nações amigas.
Antes de focar minhas observações na criação de um negócio, quero tecer alguns comentários sobre o desenvolvimento e a gestão de negócios, sejam eles públicos ou privados, pequenos, médios ou grandes.
O desenvolvimento e a gestão de um negócio pressupõem que ele já exista; eu diria, obriga que ele já tenha sido criado. Não há como desenvolver o que ainda não exista ou tenha passado por uma etapa de “gestação embrionária” e conseqüente “crescimento fetal”. Havendo uma “fecundação”, pode-se pensar na gestação de um projeto de negócio. Eu gosto muito desta analogia com o fenômeno de desenvolvimento da fecundação no útero. Nem todo ente fecundado será assumido com total responsabilidade por aqueles que lhe deram origem. Com os empreendimentos também é assim.
Todos sabem bem como é importante para o nascimento de uma criança, uma gravidez bem gerenciada; tarefa que merece o envolvimento direto de pais e familiares, além de médicos e outros profissionais. A responsabilidade pelo futuro de um filho tem início, certamente, bem antes da fecundação. Assim deveria ser sempre, de maneira expontânea! Porém, não é o que vemos! Inúmeras leis são feitas para tentar garantir os direitos da pequena criatura. É comum ouvirmos alguém comentar: “Chiii! Sabe que fulana ficou grávida? Ela nem sabia! Pensava que estava engordando! Já está com dois meses! A menstruação dela costumava atrasar.”
Atropelada pelo despreparo para lidar com a realidade de um futuro parto, sem estrutura para receber a notícia e com o tempo acelerando contra, tem início uma correria da futura mãe a fim de conseguir dar o melhor final feliz para a história. Para piorar a situação, tem ainda a figura do “sócio”, aquele que não sabe de nada e acaba complicando a tomada de decisão: nasce ou aborta o “negócio”? Não me cabe aqui ser um crítico do aborto, mas a verdade é que, na situação da gravidez não planejada, não desejada, não pensada e assumida, o pequeno embrião, muitas vezes flagrado já como um feto, nem nome tem e acaba sua existência como um rejeitado. Não passa de um “treco”; e, o que é pior, quando ele não passa de uma “coisa”... pública.
No mundo dos negócios as coisas não são muito diferentes. Os negócios normalmente surgem pequenos, por vontade de seus donos, com total responsabilidade social e de tal forma amados, que acabam por crescer e chegar ao desenvolvimento para o mercado. Outros há que surgem sem um real desejo da fecunda realização. São verdadeiros acidentes, apenas representando aventuras, cometimentos da paixão; são loucos devaneios, nunca o resultado da vontade responsável de alguém para criar um negócio. Há casos, por exemplo, de serem simplesmente arroubos de alguém que não deseja mais ter patrão e, assim, quer ser o patrão de si mesmo. Até estes tipos de negócio são capazes de crescer e encontrar sucesso no mercado. Podem até chegar a se desenvolver, alcançando grande sucesso, desde que seja o fruto de uma relação de amor. Sim, um amor idealístico! Nada vive e consegue prosperar sem o amor.
Aqui fica, portanto, uma das minhas primeiras constatações das comparações que tenho feito: um negócio privado demanda uma “paternidade e maternidade” responsável e assumida, para que tenha uma expectativa melhor para o seu desenvolvimento e gerenciamento; enquanto o negócio público, coitado, acaba sempre como um filho que não sabe quem é o pai e tem vergonha de dizer quem é a mãe, ficando sempre sem entender bem para qual fim foi posto no mundo. Há exceções, sim! A Embraer, privatizada desde 1994, é o exemplo que desejo citar, como típico fruto do idealismo de um grande empreendedor e gestor, o grande administrador brasileiro Ozires Silva. Sempre recomendo a leitura do livro intitulado “Cartas a um Jovem Empreendedor”, de sua autoria, e a visita ao site http://www.embraer.com.br/portugues/content/empresa/profile.asp.
Outra constatação: para criar um negócio, mais importante do que ter capital é ter amor e acreditar em alguma boa idéia.
Destes breves comentários iniciais, quero deixar uma resumida reflexão: assim como as pessoas, também as empresas e organizações só podem ser desenvolvidas e gerenciadas se resultarem da ação do amor.
Certamente, a vida guarda leis universais, prevalecentes para todos. Aberrações podem existir para justificar o sucesso de algumas poucas empresas, contudo, independente do tempo da duração de um empreendimento no mercado, dentre os mais fortes fatores de insucesso e morte prematura está a falta de objetivos maiores, bem definidos e assumidos. Esta é a razão pela qual o planejamento estratégico é tão importante para a criação de negócios. Sem ele não há como gerenciar nada, tampouco o que desenvolver para o futuro.
Vamos então ao foco do nosso assunto, i.e., a criação de um negócio!
Importante: para a criação de um negócio é importante ter criatividade; obriga saber lidar com o desconhecido, com o novo, com aquilo que ainda não havia sido nem mesmo evidenciado. Esta é a razão que faz algumas pessoas diferentes das outras por terem a capacidade de ver além dos paradigmas. Partir de pensamentos de negação, do não pode, do é impossível, do não vai dar certo etc. torna o processo de criação um verdadeiro estupro.
O universo, por exemplo, é bastante anárquico, livre para se movimentar, se modificar eternamente, apenas subordinado aos desígnios do Incriado, simplesmente recriando o imponderável! Alguém já parou para pensar sobre o significado do infinito? Complicado, não? Pois é justamente a aceitação de que existe o infinito o que levou velhos filósofos a demonstrarem a existência de Deus, sem jamais alguém ter a pretensão de querer provar a existência do infinito.
Vou alucinar agora! Se o infinito existe, então não há nada novo, posto que tudo já foi criado. Resultado: na natureza nada se perde, nada se cria, tudo se transforma (Lavoisier em 1789).
Portanto, o processo de criação de um negócio segue leis científicas, mas subordinam-se, mormente as leis da natureza. Respeita, também, os ditames jurídicos dos homens, e segue o sentido do carma (nas filosofias da Índia, o conjunto das ações dos homens e suas conseqüências).
Outro problema a ser considerado: não adianta pensar em criação além do que é possível para determinado momento das transformações. Suponhamos de forma romanceada que, um dia, há aproximadamente 150 anos, um sonhador tomado de amor pelo luar tenha decidido dar um beijo na sua amada. Não existiam meios para viabilizar a ação, sendo esta a razão pela qual a lua não foi pisada por um visionário como Júlio Verne e sim por Neil Armstrong, em 1969, o primeiro homem a pisar na Lua.
Claro está que o fantástico escritor pode ter sido o tal apaixonado. De forma bastante avançada para sua época, escreveu, em 1865, “Da Terra a Lua” e “Ao Redor da Lua”, obras literárias que, com muita antecedência, podem ter servido de inspiração para os primeiros astronautas empreenderem a histórica conquista.
Conclusão básica: para a criação de um negócio, ainda que seja necessário amar a idéia do que se deseja realizar, ser um visionário, um sonhador e ter grande coragem para propor uma marcha em direção ao desconhecido, é de suma importância ter os pés no chão, i.e., tentar planejar e organizar algo factível para o seu tempo. Criar um negócio implica em executar o projeto, de outra forma não passa de boa intenção, qualidade esta que, segundo comentam, tem feito a população do inferno crescer a olhos vistos e as estatísticas de mortalidade de empresas serem tão contundentes.
Para concluir, retorno ao assunto hipertexto. A complexa e elaborada faina de planejar estrategicamente a criação de um negócio, nos tempos atuais, é sobejamente favorecida pela Internet. Nunca uma pessoa pode sonhar e de forma concomitante checar tão rapidamente suas idéias. Acredito que o aparecimento de novos empreendimentos será, doravante, muito facilitado, na medida em que as pessoas possam acessar informações sobre disponibilidade de recursos para executar seus sonhos.