A "Fórmula da Liderança".

Vamos continuar o exame da “Fórmula da Liderança”, objeto do último post .A fórmula que, repito, não é da minha lavra se expressa como a seguir: L = f (s, g, l), onde “L” que representa o estilo de liderança é uma função de “s” (situação, circunstância, conjuntura), de “g“ (grupo, departamento, empresa) e de “l “ (que representa o estilo do líder e todo o seu conjunto de conhecimentos, experiências, habilidades, valores e até o temperamento). No exemplo que deixei, propunha a seguinte questão:
Porque líderes bem sucedidos em setores das suas empresas ou em outras, são promovidos ou recém contratados e não conseguem repetir o desempenho na nova função ou no novo emprego? Como fazer para corrigir, previamente, uma situação constrangedora como essa?
Para responder, analisemos o seguinte cenário:
Marcos é um brilhante chefe de divisão. Está, como se diz popularmente, “bombando” na empresa. Visivelmente está acima do nível e precisa ser promovido. O seu diretor decide então que ele deve assumir a gerência de outro departamento que está vivendo problemas com a atual gerência. Marcos está “pronto” para assumir o cargo. Feita a mudança e após o tempo de espera normal, Marcos é um tremendo fiasco. Não conseguiu melhorar o desempenho do novo departamento e ainda não conseguiu controlar os focos de reação do seu novo grupo. O que aconteceu?

Vamos à fórmula: L= f (s, g, l).

Quais as variáveis que mudaram no que diz respeito à liderança de Marcos?

  1. Mudou a conjuntura (é um novo ambiente de trabalho com tarefas diferentes, objetivos, etc.)
  2. Mudou o grupo. É um novo agrupamento de pessoas com cultura administrativa diferente do anterior, diferentes valores de conjunto, contratos psicológicos distintos dos antigos subordinados do Marcos e por ai vai...
  3. E o Marcos? Será que ele mudou? Certamente que não. Manteve seu estilo de gerência inalterável (que afinal de contas o levou à promoção). Como as demais componentes da fórmula se modificaram (são variáveis) eis a provável razão – no nosso exemplo – do insucesso da liderança do Marcos.

É óbvio que no universo corporativo as coisas não são assim, tão lineares. Considerem o aspecto didático do exemplo.

Certamente todos já observaram e até vivenciaram casos semelhantes ao do Marcos. Líderes que não querem ou não conseguem modificar seu estilo de gerência, porque “sempre deu certo”, e por isto mesmo não repetem, ao longo da carreira, o mesmo sucesso que obtiveram nas primeiras funções que o qualificaram para as promoções.
Onde está o problema?
Marcos, como a maioria dos jovens líderes e gerentes, não compreendeu que ele próprio é uma variável dentro do seu novo estilo liderança. O gerente que não sabe administrar seu próprio estilo de liderança não alcançará resultados permanentes. Esta é a lição. E mais, as variáveis(situação, grupo e líder) se modificam constantemente a cada nova conjuntura ou novo arranjo do grupo de subordinados. O líder deverá exercitar sua capacidade para se ajustar quantas vezes forem necessárias (e serão muitas) às demais variáveis e, com habilidades muito próprias, ajustá-las ao seu efetivo estilo, até consolidá-lo naquela situação e naquele grupo.

Por outro lado, falhou o diretor do Marcos. Caberia a ele saber avaliar se aquele gerente de sucesso na divisão “A” poderia se sair bem no departamento “B”. Se dominasse bem os fundamentos do “conceito das funções variáveis da liderança” o diretor teria feito a correta avaliação e promovido as correções para otimizar as qualidade do Marcos na nova função. A partir daí acompanharia o comportamento das variáveis que estariam, todas, sob a sua direção. Vale lembrar que as variáveis podem ser administradas, mas esta é outra conversa.